Psicopedagogia






A Psicopedagogia é um campo de conhecimento caracterizado pela interdisciplinaridade, utilizando-se de várias correntes teóricas. Tem como principal enfoque, o caráter preventivo, mas também pode atuar em caráter terapêutico, na identificação, análise e  elaboração de uma metodologia de diagnóstico e tratamento das dificuldades de aprendizagem.
A importância do olhar e atuação do psicopedagogo, acontece primeiramente na avaliação, posteriormente na intervenção perante o paciente e também na mediação entre escola e família.
 

Dislexia

Dislexia, segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) , pode ser definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, sendo o distúrbio de maior incidência nas salas de aula.
O ideal em termos pedagógicos e psicopedagógicos, deveria ser identificá-la no decorrer do processo de alfabetização, devido à dislexia provocar uma defasagem significativa no aprendizado; mas, geralmente não é isso o que ocorre, ela acaba sendo diagnosticada tardiamente ou sequer sabendo-se de sua existência... Embora etimologicamente “dislexia” seja traduzida tanto do latim quanto do grego, como distúrbio de aprendizagem, esse termo foi adotado para denominar um distúrbio específico na aquisição da leitura e da escrita.
Inúmeras são as teorias que tentam explicar a etiologia da dislexia. O que sabemos hoje é que existem fatores hereditários, fatores relacionados ao comportamento social, à lateralização cerebral e a uma disfunção cerebral, relacionados ao quadro de dislexia.
A soma de alguns sintomas, que podem ser observados pela família e pelo professor, pode conduzir ao que se denomina “quadro de risco” e precisa ser investigado, através de uma avaliação adequada por profissionais que realmente conheçam a dislexia e saibam como trabalhar com ela.
Segundo diretrizes da British Dyslexia Association, os sinais que podem indicar dislexia são:

• Histórico familiar de problemas de leitura e escrita;
• Atraso para começar a falar de modo inteligível;
• Atraso no desenvolvimento visual;
• Frases confusas, com migrações de letras: "a gata preta prendeu o filhote" em vez de "a gata preta perdeu o filhote";
• Impulsividade no agir;
• Uso excessivo de palavras substitutas ou imprecisas (como "coisa", "negócio");
• Nomeação imprecisa (como "helóptero" para helicóptero);
• Dificuldade para lembrar nome de cores e objetos;
• Confusão no uso de palavras que indicam direção, como dentro/fora, em cima/embaixo, direita esquerda;
• Dificuldades de coordenação motora: tropeços, colisões com objetos ou quedas frequentes;
• Dificuldade em aprender cantigas infantis com rimas;
• Dificuldade em encontrar palavras que rimam e em julgar se palavras, rimam ou não;
• Dificuldade com seqüências verbais (como os dias da semana) ou visuais (como seqüências de blocos coloridos);
• Criatividade aguçada;
• Facilidade com desenhos e boa noção de cores;
• Aptidão para brinquedos de construção ou técnicos, como quebra-cabeças, lego, controle remoto de tv ou vídeo, teclados de computadores;
• Prazer em ouvir outras pessoas lendo para ela, mas falta de interesse em conhecer letras e palavras. A criança não se interessa por livros ou impressos;
• Discrepância entre diferentes habilidades, parecendo uma criança brilhante em alguns aspectos, mas desinteressada em outros;
• Fraco desenvolvimento da atenção;
• Dificuldade para organizações.

É importante lembrar que, tais sinais não implicam necessariamente a presença da dislexia, mas, quando ocorrem em grande número e de forma recorrente, devem ser encarados como um indicativo, que incentive o encaminhamento do aluno para uma avaliação multidisciplinar mais detalhada.
Ressaltamos que o diagnóstico deve ser feito por equipe multidisciplinar: psicopedagogo, fonoaudiólogo e neurologista. E se necessário, existe ainda a possibilidade de indicação para outros especialistas.
O diagnóstico precisa ajudar os pais, professores e profissionais, que acompanharão o caso, assim como o próprio aluno disléxico. O objetivo não é encontrar um rótulo e sim estabelecer caminhos que facilitem a aprendizagem dessa criança.


Escrito por Elaine P. Santos. Por favor, se for copiar, indique a fonte.
 
 
                  International  Dyslexia  Association
 
 
" Ler não é decifrar, escrever não é copiar".
(Emilia Ferreiro)


Hiperatividade



Ansiedade, inquietação, euforia e distração frequentes podem significar mais do que uma fase na vida de uma criança: os exageros de conduta, diferenciam quem vive um momento atípico daqueles que sofrem de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Nas famílias e também nas escolas, ainda hoje, algumas crianças são rotuladas de hiperativas sem serem.
É muito relativo o que consideramos normal em uma criança... Desatenção e agitação, são fatores que são avaliados de diferentes formas pelas famílias e pela escola. O que é normal para uma família, pode não ser o esperado na escola ou ao contrário. E isto dificulta o encaminhamento correto e o diagnóstico.
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é uma terminologia usada para descrever uma desordem específica do desenvolvimento exibido por crianças com deficiências em sustentar a atenção, inibir os impulsos e regular a atividade motora nas diversas situações de vida.
O que acontece muitas vezes, é que crianças não Hiperativas, são encaminhadas aos consultórios de psicólogos ou psicopedagogos. E crianças com o transtorno podem demorar em ter o diagnóstico e passarem por repetidos fracassos e frustrações.
A falta de conhecimento das famílias e muitas vezes da escola, acaba muitas vezes gerando esses equívocos.
Por isso, a importância de observarmos nossos alunos, não para rotularmos... Mas sim, para ajudarmos essas famílias e principalmente essas crianças, a terem o tratamento ideal e principalmente, serem tratadas com respeito.
O desconhecimento do TDAH ou Hiperatividade, frequentemente acaba levando à demora no diagnóstico e no tratamento dos portadores, os quais acabam sofrendo por muitos anos.
O que podemos observar, na criança com suspeita de Hiperatividade:

Em casa:

- Chora em demasia quando recém-nascido.
- Sente muitas cólicas.
- Apresenta distúrbio de sono.
- Perda de fôlego.
- Faz birras como bater a cabeça no chão, se morder, puxar os cabelos.
- Bruxismo.
- Sonambulismo.
- Sonilóquio.
- Demora a controlar a urina.
- Comportamento inquieto, teimoso e rebelde.
- Não sabe brincar.
- Corre muito, tropeça, cai.
- Apresenta dificuldades para: vestir, despir, abotoar, amarrar cordão.
- Quase tudo cai das mãos.
- Não presta atenção a detalhes.
- Claridade, ambiente ruidoso e roupas apertadas incomodam.
- Socialmente desinibida, sem reservas e despreocupada.
- Corre muito e sobe em objetos.
- Reclama muito de dores no corpo.
- Culpa os outros por seus fracassos.
- Problemas na orientação esquerda e direita.
- Impressão de que às vezes ouve bem e às vezes não.
- Dificuldade em ouvir em ambiente ruidoso.
- Propensa a se acidentar com freqüência.
- Precisa de muita supervisão.
- Resiste às mudanças, prefere a rotina.
- Mudanças de humor.

Na escola:

- Dificuldade de manter a atenção.
- Não segue as instruções e nem termina as lições.
- Dificuldade em organizar as tarefas.
- Perde objetos com facilidade
- Problema com os sons das palavras.
- Dificuldade de entender palavras e conceitos.
- Troca letras por ordem incorreta ou letras erradas.
- Problemas de linguagem envolvendo a estrutura gramatical.
- Não entende palavras com duplo sentido, piadas...
- Dificuldade em compreender o que lê.
- Dificuldade para distinguir formas e tamanhos.
- Dificuldade de colorir, escrever e recortar.
- Falta estabilidade no uso das mãos.
- Letras e palavras ao contrário.
- Esquece fácil.
- Demora no desenvolvimento da linguagem.
- Dificuldade de se expressar verbalmente.
- Repele tudo o que exige atividade mental prolongada.
- Distrai-se facilmente com estímulos irrelevantes.
- Muda rapidamente de uma atividade para outra.
- Mexe as mãos e os pés com freqüência.
- Tem dificuldade de permanecer sentado.
- Não se envolve silenciosamente em brincadeiras.
- Parece ser movida "a motor".
- Muito sensível a qualquer comentário.
- Está sempre se envolvendo em discórdias.
- Explode com facilidade, mas não é mal humorado.
- Fala muito.
- Responde antes de ouvir toda a pergunta.
- Dificuldade em esperar a sua vez.
- Se intromete nas atividades dos outros.
- É agressiva.
- Obstinada – Inacessível - Insolente.
- Relacionamento inexistente.
- Sociabilidade ruim, faz amizade fácil mas não consegue manter.
- Medidas disciplinares não funcionam com ela.
- Vive isolada.

Após a suspeita de hiperatividade, a criança deverá ser avaliada por um médico especialista em neurologia, que poderá solicitar exames que comprovem o transtorno. O tratamento consiste em adequação das opções educativas, processo de intervenção psicopedagógica, psicológica e a critério médico, indicação de tratamento farmacológico.

 
Escrito por Elaine P. Santos. Por favor, se for copiar, indique a fonte.


 
Referências: TDAH / Hiperatividade

Momento da lição de casa



O estudante que faz suas lições (tarefas, missões...) de casa, também está exercitando sua responsabilidade, autonomia e adquirindo o importante hábito do estudo.
É fundamental que a lição de casa seja pensada levando em conta o tempo, a idade, as possibilidades e dificuldades do aluno. É importante que a escola compreenda que a lição de casa é uma responsabilidade dela. A lição não pode ser fonte de angústia e conflitos familiares.
Cabe sim aos pais, a função de encorajar seus filhos nessa responsabilidade, dando – lhes autonomia para realizarem suas tarefas e não realizando por eles... Os pais que fazem a lição, na intenção de ajudar os filhos, na verdade, estão atrapalhando sua aprendizagem e seu desenvolvimento.
É importante para a criança ter um local adequado para a realização da tarefa.
Ter um horário diário para o momento da lição de casa, assim como ter o material organizado para esta finalidade, também são atitudes que auxiliam  neste momento.



Escrito por Elaine P. Santos. Por favor, se for copiar, indique a fonte.




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