Dislexia

Dislexia, segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD) , pode ser definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, sendo o distúrbio de maior incidência nas salas de aula.
O ideal em termos pedagógicos e psicopedagógicos, deveria ser identificá-la no decorrer do processo de alfabetização, devido à dislexia provocar uma defasagem significativa no aprendizado; mas, geralmente não é isso o que ocorre, ela acaba sendo diagnosticada tardiamente ou sequer sabendo-se de sua existência... Embora etimologicamente “dislexia” seja traduzida tanto do latim quanto do grego, como distúrbio de aprendizagem, esse termo foi adotado para denominar um distúrbio específico na aquisição da leitura e da escrita.
Inúmeras são as teorias que tentam explicar a etiologia da dislexia. O que sabemos hoje é que existem fatores hereditários, fatores relacionados ao comportamento social, à lateralização cerebral e a uma disfunção cerebral, relacionados ao quadro de dislexia.
A soma de alguns sintomas, que podem ser observados pela família e pelo professor, pode conduzir ao que se denomina “quadro de risco” e precisa ser investigado, através de uma avaliação adequada por profissionais que realmente conheçam a dislexia e saibam como trabalhar com ela.
Segundo diretrizes da British Dyslexia Association, os sinais que podem indicar dislexia são:

• Histórico familiar de problemas de leitura e escrita;
• Atraso para começar a falar de modo inteligível;
• Atraso no desenvolvimento visual;
• Frases confusas, com migrações de letras: "a gata preta prendeu o filhote" em vez de "a gata preta perdeu o filhote";
• Impulsividade no agir;
• Uso excessivo de palavras substitutas ou imprecisas (como "coisa", "negócio");
• Nomeação imprecisa (como "helóptero" para helicóptero);
• Dificuldade para lembrar nome de cores e objetos;
• Confusão no uso de palavras que indicam direção, como dentro/fora, em cima/embaixo, direita esquerda;
• Dificuldades de coordenação motora: tropeços, colisões com objetos ou quedas frequentes;
• Dificuldade em aprender cantigas infantis com rimas;
• Dificuldade em encontrar palavras que rimam e em julgar se palavras, rimam ou não;
• Dificuldade com seqüências verbais (como os dias da semana) ou visuais (como seqüências de blocos coloridos);
• Criatividade aguçada;
• Facilidade com desenhos e boa noção de cores;
• Aptidão para brinquedos de construção ou técnicos, como quebra-cabeças, lego, controle remoto de tv ou vídeo, teclados de computadores;
• Prazer em ouvir outras pessoas lendo para ela, mas falta de interesse em conhecer letras e palavras. A criança não se interessa por livros ou impressos;
• Discrepância entre diferentes habilidades, parecendo uma criança brilhante em alguns aspectos, mas desinteressada em outros;
• Fraco desenvolvimento da atenção;
• Dificuldade para organizações.

É importante lembrar que, tais sinais não implicam necessariamente a presença da dislexia, mas, quando ocorrem em grande número e de forma recorrente, devem ser encarados como um indicativo, que incentive o encaminhamento do aluno para uma avaliação multidisciplinar mais detalhada.
Ressaltamos que o diagnóstico deve ser feito por equipe multidisciplinar: psicopedagogo, fonoaudiólogo e neurologista. E se necessário, existe ainda a possibilidade de indicação para outros especialistas.
O diagnóstico precisa ajudar os pais, professores e profissionais, que acompanharão o caso, assim como o próprio aluno disléxico. O objetivo não é encontrar um rótulo e sim estabelecer caminhos que facilitem a aprendizagem dessa criança.


Escrito por Elaine P. Santos. Por favor, se for copiar, indique a fonte.
 
 
                  International  Dyslexia  Association
 
 
" Ler não é decifrar, escrever não é copiar".
(Emilia Ferreiro)


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